Não tenho rumo, quiçá salvação.
Vago por ai em meu vago tempo.
Não acompanho o vento,
Ele sim me acompanha,
Pois ele tem seu rumo, seu sentido,
Eu tampouco os tenho.
Como Odisseu, ousei eu,
Ao Deus único desafiar
E a fim de me castigar
Perdido estou no mundo seu.
Sem onde possa sequer
Das dores do coração me abrigar.
Tenho certamente um passado,
Mas este certamente não mais me tem,
Prazer, solidão, tristeza, carinho
Todos passam pelo meu caminho
Mais nada, realmente nada
Neste vil e cruel mundo me detém.
O amor, este traiçoeiro, mesquinho e equivocado sentimento.
Por vezes a mim tenta ludibriar,
Contudo por não querer e não mais desejar
Suas armadilhas ardilosas com destreza
Fé em mim e certa sutileza
Dele consigo escapar.
Chamo-o de maldito,
Maltrapilho agonizante
Almejado e cultivado pro tantos
Que a muitos corrompe e destrói
Paralisa, dementa e perverte
Em agonia nossa alma corrói.
Lágrimas o que delas posso dizer?
Nunca as sinto escorrer
Tampouco ao meu rosto umedecer
Estrago, digo trago-as em minh’alma
Para que mesmo sem senti-las
Não as possa esquecer.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
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