quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Um pouco de chuva e muita saudade

Chuva muito fina. A claridade, pouca que se tinha, iluminava a vegetação rasteira que perto de seus pés estava. O cheiro forte não só de terra molhada, como de folhas, galhos e troncos, permeava toda aquela atmosfera e seu pensamento longo, ao longe ia. Ia por entre os anos que se haviam passado, entre as lembranças que ora a assombravam e pela tristeza que seu coração espremia.

Sentia-se sim, só, firme, decidida, mas no fundo triste, pois poderia estar com aquele que a amava e quem sempre amou, mas os sentimentos mundanos e as decisões humanas os haviam afastados. Será que para sempre? Até quando se sentiria assim?

A chuva apertara, seus passos também. Gostava de passear por entre as arvores sentindo o frescor e perfume da mata, mas aquilo também lhe trazia enorme tristeza, confusão e culpa.

Sentiu uma lágrima descer pelo seu rosto, mas ela não poderia dar atenção aquilo, deveria caminhar, pensar em sua vida daquele momento em diante. Por que pensaria no passado? Estaria lá além do motivo de sua tristeza também a solução?

Caminhou um pouco mais devagar, a chuva que começara apertar, agora aos poucos se tornava outra vez aquela poalha e ela deteve-se em apenas aproveitar o caminho e o perfume que agora sentia de algumas flores.

Pensou que estava ali sozinha, e realmente estava, mas seus pensamentos não. Ele também estava lá, de alguma forma ou de outra, ele estava lá, e sempre estaria.

Pensou: "Será que ele ainda pensa em mim e nos momentos que estivemos juntos? Será que ainda ao lembrar-se de mim, chora ou fica sentindo este aperto no coração?"

E assim caminhou, caminhou e caminhou até que se deparou com uma pequenina cachoeira que perto daquela vegetação rasteira que lhe acompanhava estava e por alguns instantes, resolveu parar e desfrutar daquela paisagem.

Pensou e ao pensar se viu mais nova, em um dia de sol a banhar-se em uma também cachoeira e ele lá estava a sorrir para ela e a beijar-lhe não somente os lábios, mas as faces joviais e róseas que emolduravam seu rosto.

Uma vez mais, mais uma vez, uma lágrima doce em sua face corria e antes que ela pudesse enxugá-la, o vento se apressou e secou-lhe o rosto e neste exato momento ela pensou:

"Eu ainda te amo e sei que você também e um dia estaremos aqui por toda a eternidade".

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