sábado, 22 de dezembro de 2007

Ode a Mario

Estimado Mario,

Escrevo-te estas linhas para dizer-te que compartilho de tua indignação.
Compartilho de tua indignação pelo mundo, pela alma humana, digo lama humana, por tudo de tudo o que nos é dado.
Compartilho também de teu amor pelas metáforas, e assim como disseste: “O mundo todo é uma metáfora de alguma coisa”, faço das tuas minhas palavras também.
Compadeço-me de tuas chagas e delas, tiro todo o sofrimento para poder escrever-te tais linhas, que lerás a seguir e que peço tão somente que ao final possas sorrir.

Ode a Mario

Sob as estrelas de um céu mudo,
Ao som ensurdecedor das ondas do mar,
Cá estou a pensar,
Neste sombrio e desumano mundo.

Sinto me queimar por dentro,
Mesmo com todo este zéfiro a perfumar-me,
Sinto-me incompreendido,
Com as estrelas do céu a brigar.

Tento fazer-me compreender a mim mesmo,
Tento sim acreditar,
Que talvez amanhã um novo dia seja,
E que talvez tenha com quem falar.

Não posso mais calar-me em mim,
Não posso mais chorar em ti,
Não quero que tu deixes,
De pensares em mim.

Sinto que te perco,
Acho que até, já perdi-me em mim,
Contudo ainda sofro,
Pela angústia de também te perderes em mim.

Sinto que mudei,
Que aquela água do rio,
Já não corre tanto assim,
Talvez também tenha ela mudado,
Ou será que morri em mim?

Não quero mais poder chorar,
Quero sim poder sorrir,
Não mais devo gritar,
Nem professar o que jaz em mim.

Triste canto-te esta ode,
Amigo, não espero fazer-te rir,
Porém se o fizer,
Já em boa ora hei de ir,
Pois o combinado, cumpri.

Carinho, do distante amigo,
Stênio M.

2 comentários:

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