sábado, 22 de dezembro de 2007

A Volta do Anjo (parte1)

Certa vez há muito tempo, caíra do céu, um anjo. Ele caiu para, então, nunca mais aos céus subir, e desta forma começa nossa estória.

Há muitas estórias sobre ele, mas me parece mais interessante contar-lhe uma mais nova, uma que mais sentido faça e que se faça diante de seus olhos.

Adorado era, perto de Deus, sempre estivera, mas assim como todos os demais seres que criados por Deus foram, como ele nunca seriam absolutamente perfeito.

Ele, contudo, era relativamente perfeito como acontece com os outros anjos, pois estes possuem a graça de Deus, enquanto nós humanos possuímos apenas a Fé.

Um belo dia, após séculos de existência, achou que por ser alguém tão especial, não precisaria mais obedecer a seu criador e resolveu subverter a ordem.

Não porque havia algo de errado com isso, mas por um problema de megalomania, resolveu achar-se maior do que realmente era e com isso foi contrário ao seu mestre e tentou pegar seu lugar na liderança.

Isso mesmo, ele achou-se maior que Deus, porque não concordava com certas atitudes do criador e como ele era um anjo, era relativamente perfeito, e ainda por cima o número um dentre eles; resolveu rebelar-se.

O castigo para ele foi o exílio. Caiu. Melhor dizendo, despencou céu abaixo e nas profundezas ficou.

Os séculos passaram e seu amor em ódio transformou-se. Sua complacência em ira.

O perdão e o amor, onde ficam?

Nosso caro ex-anjo, que um belo nome possuía, agora, paradoxalmente pertence às trevas. Paradoxalmente, pois seu nome era Lúcifer que quer dizer aquele que traz a luz.

Como pode? Como pôde? Aquele que trazia a luz, pertencer e agora as trevas trazer?

O perdão a ele não foi concedido, tão pouco a compaixão, e por que será?

Esta pergunta ele se fez através dos séculos e não conseguiu a resposta.

Consigo, ele pensava:

___ Como? Por quê? Eu era o anjo # 1. Sim cometi um erro grave, mas se os humanos têm sempre o perdão de Deus, por que eu não?

Certo ano, ele notou que os homens começaram a manter o contato com os que já haviam partido.

Com os espíritos de outros homens e estes, tentavam esclarecer as dúvidas dos que na Terra ainda estavam.

Passou então a freqüentar tais reuniões com o intuito de apreciar a conversação e de intimamente, e às vezes não intimamente, mas presencialmente zombar dos que ali estavam, tanto os vivos quanto os mortos.

Logo na primeira reunião que participara, por prudência, achou melhor não fazer nada, nem mesmo queria que fosse notada sua presença, e assim aconteceu.

Ao final da primeira reunião que participara, sentiu-se insultado, pois aqueles espíritos sabiam muitos dos mistérios do Universo, que segundo ele, somente um anjo poderia saber.

Contudo, ponderou, ponderou e começou por entender certas coisas que para ele deveriam ser cristalinas como a água. Uma das conclusões que chegou foi a seguinte:

___ Deus deve saber o que faz. Eu até agora não entendo o por quê até agora Ele não me chamou de volta para ficar ao lado dele. Talvez seja, porque desde que cai, venho fazendo tudo ao contrário só para irritá-lo, mas ele não se irrita, deve até está sentindo pena de mim. Não! Eu não sou digno de pena. Não! É melhor eu esquecer isso, mas uma coisa é certa, Ele deve saber o que está fazendo. Por que Ele não me perdoa?

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