Sigam-me os loucos
Os insanos, os dementes
Todos aqueles que como eu
Não são nada
Não estão nem à margem da sociedade
São a escória inútil
O peso morto
Sigam-me os falidos
Os de coração enegrecido
Os esquecidos
Os desprezados
Os subjugados
Todos os que não têm ninguém
A não ser a si próprio
Sigam-me também, principalmente
Todos aqueles que tudo tiveram
E que perderam ou que lhes foram
Tirado na calada da noite
Sigam-me os infortúnios
Os maus
Os desprezíveis
Seres do dia e da noite
Pois nos confortaremos uns aos outros
E contemplaremos não só os dias como as noites
De sol de chuva, de lua, estreladas
A doença, a peste, a guerra, a destruição
O renascer da vida após a morte
Moral, intelectual, espiritual e carnal do vil ser - humano.

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