10 de setembro de 2008
Ele tinha medo de altura, também tinha medo de outras coisas, como de magoar alguém, se magoar, dentre outros medos comuns a todos, só não tinha medo da morte, também pudera, já estava morto por dentro como ele mesmo dizia.
Toda vez que ele sentia o sol ou um leve vento frio; ou via o céu azul ou cinza, dela ele lembrava, dela, falta, ele sentia e em seus lábios o sorriso verdadeiro aparecia.
Nada para ele tinha mais valor, apenas as lembranças. Um homem que vive de lembranças, apenas revive em seu mundo, seu passado e na realidade, morto se encontra.
Vazio. Assim ele via seu dia, sua noite, sua vida.
Chorava. Às vezes de noite, as vezes de dia, sem saber ao certo porquê assim o fazia. Era perene sua tristeza, era calculado seu choro, era involuntário o choro e o cálculo.
Sentia-se perdido em si; em seus pensamentos. As pessoas por ele passavam.
Incrível! É como se ele ali não estivesse e não chamasse a atenção. Era insignificante, talvez tivesse sempre sido.
Um momento e caiu em si e toda sua vida passava diante de seus olhos.
Seus amores, sabores e dissabores, seu legado, suas alegrias, suas tristezas, seu grande amor o olhava, primeiro com doçura, amor, carinho, cumplicidade e paixão. Depois com aquele olhar de distância, insignificância do dia em que oficializaram o fim. Aquele olhar frio o matou. Estava morto desde então. Viu que ela o via como um qualquer e que queria que ele logo pegasse suas coisas e fosse embora; que nada mais restava.
Nesse momento uma dor forte, muito forte, uma ardência por todo o corpo lhe acometia.
Era o resultado da queda.
Ele pulara.
Naquela passarela as pessoas não o notaram e só notaram quando seu corpo e sua cabeça fizeram estrondo na via pública.
Ele ainda abriu os olhos para ver o sol que iluminava seu rosto e as pessoas ao seu redor, mas de sua mente aquele olhar que o matou o acompanhava naquele momento.
Além do sangue a sufocar-lhe, da dor e dormência total, sentiu uma lágrima escorre-lhe enquanto tentava dizer: Eu te amo, fui feliz com você.

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